Guiada pelas mãos do Eterno

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Eterno deu ordem aos seus anjos e eles me sustentaram e guardaram.


E
ste é somente um resumo do inicio da minha trajetória no caminho da Verdade. Esta história começa bem lá atrás; quando eu ainda era uma menina que brincava de boneca, volto ao passado no ano de 1976...

Eu tinha apenas oito anos, recém chegada da pequena cidade de Santana do Itararé, Paraná, com toda a liberdade do interior, quintal com grandes árvores, casa simples feita de madeira, porém com muita fartura, amor e o acolhimento que somente as pessoas simples do interior têm, todos se conhecem e se ajudam.
Nesta pacata cidade onde nasci, fundada por meus antepassados, a grande FAMÍLIA BARBOSA, éramos conhecidos de  todos e conhecíamos a todos... porém com o tempo alguns filhos partiram em busca dos sonhos... e o desejo de minha mãe em ir atrás dos filhos mais velhos que tentavam a sorte na grande São Paulo, nos fez sair do nosso cantinho e aventurar na maior cidade do Brasil, saímos com sonhos de morar em um lindo edifício e ter uma vida de novidades.

A criança em sua mente pequenina imagina e cria ilusões onde não tem lugar para as dificuldades, deixam estas realidades para os adultos, e continuam a sonhar com castelos...

Quando chegamos e tivemos a visão do lugar onde iríamos morar, nosso castelo simplesmente desmoronou...

Alguns anos depois, morando em nossa casa de alvenaria inacabada eu brincava com minha irmã de coração  no pequeno quintal dos fundos, nele havia um poço bem velho, mais que ainda nos servia com sua água. Resolvi que a tampa de madeira poderia ser o assento do meu carro imaginário,  eu iria passear com meu bebê (minha velha boneca de plástico), e me sentei sem notar que a tampa não estava fechada direito, foi então que... Naquele poço de aproximadamente 21 metros de profundidade, minha irmãzinha em desespero, sem saber o que fazer... Começou a gritar!  Sair para pedir socorro?  Me deixando ali, poderia ser que ao voltar já não houvesse mais tempo?
Meu pai estava na sala, com um aparelho ligado em seu violão, era o seu consolo, a música, uma vez que odiava estar naquela cidade grande. O ouvi dizer várias vezes para minha mãe que não queria sair do interior, mas  uma mãe saudosa por suas crias distantes não conseguia atentar para as conseqüências de sua decisão, tomada no momento em que seu coração se angustiava pela dor da saudade! Foi contra todos os argumentos de meu pai e decidiu que partiríamos.
Venderão tudo o que ainda tinham, de uma herança de muitas terras herdadas do meu avô, terras  que se perdiam de vista, "restando" somente aquela "casinha" e um enorme quintal onde nossa alegria eram as manhãs quentes de verão na beira do rio saboreando o nosso piquenique e atravessando a nado,  em cima da costa do nosso pai, que com toda paciência carregava uma de cada vez, das cinco mulheres (eu, minhas três irmãs e minha mãe) aqueles nossos momentos de lazer, eram memoráveis! Os saltos de cipó, na centenária árvore que havia na entrada no nosso quintal; e as brincadeiras na pequena praça... na porta da Igreja construída em um terreno doado por um dos familiares distantes de coração generoso, parente por parte de minha mãezinha; João Barbosa e Ana Barbosa, Igreja de Santa Ana, antes conhecida como Patrimônio dos Barbosa.

Tantas foram as brincadeiras vividas ali... esconde-esconde, pega-pega... sem contar quando resolvíamos cutucar o enorme enxame de abelhas, que se formava na porta da Igrejinha.
Para pegar as colmeias cheias de mel das furiosas voadoras, que nos perseguiam praça afora... éramos felizes na nossa simplicidade e nem sabíamos.

Voltando a realidade daquele dia assustador... para mim, minha querida irmã, a caçulinha no meu lugar!
Minha mãe depois de quinze filhos, sendo eu antes a mais nova,  adotou esta garotinha com apenas três meses que sofria de uma terrível doença, que pela fé de minha mãe (a mulher mais valorosa que conheci) ficou curada!
Cresceu linda, branca como um algodão, de cabelos cacheados e negros, olhos grandes e verdes, parecia uma boneca de porcelana, meu xodó, minha companheira nas brincadeiras, um dos anjos que o Pai colocou para me guardar naquele dia.
Ela se encheu de coragem e saiu desesperada para buscar alguém mais forte do que ela para me socorrer, porque eu ainda estava lá, não sei explicar como, afinal milagre não se explica, quando a tampa e a minha bonequinha caíram, eu simplesmente fiquei  pendurada, segurando com as pontas dos meus minúsculos dedos  a borda de cimento cheia de musgo escorregadio, meus braços frágeis e finos sustentavam o peso do meu corpo... minha irmã maior finalmente apareceu para tentar me tirar daquele pesadelo, me puxou por um dos braços e não conseguindo soltou...  nesse momento senti que o impacto iria quebrar os meus braços, mas novamente fiquei suspensa pela força  de somente um deles, que então  suportavam todo o meu peso!
Finalmente meu pai tomou conhecimento do que acontecia... pois simplesmente não ouvira nada, com o barulho da caixa de som ligada.
Arrancou-me dali com desespero e fúria, me arrastando pela borda de cimento, que me deixou cheia de arranhões,  que ardiam muito quando minha mãezinha fazia o curativo.
Ainda levei umas palmadas de meu pai, como que em um momento de medo pelo que poderia ter acontecido comigo, descontou assim o nervosismo daquele instante de horror! E ainda disse:
-Se eu não conseguisse te tirar dali, pularia junto com você, e desta casa sairiam dois
caixões para o cemitério!

Meu pai... minhas irmãs e os anjos, foram minhas testemunhas, do recomeço de uma nova história sobre mim, e aquele dia ainda não seria o fim! 

Entendi também que a palavra dos salmos 91 se cumpriu na minha vida!
Minha mãezinha nos reunia (eu e minhas três irmãs) na sala para lermos a passagem das Escrituras no salmo 91, era eu quem recitava este salmo toda noite e o Eterno verdadeiramente deu ordem aos seus anjos e me sustentou e guardou. 


Hoje tenho 44 anos, e a sabedoria e os ensinamentos de minha querida mãe, me guiaram para as mãos do Pai, e começou então uma nova trajetória na minha vida, o que passou sem o Altíssimo, não interessa relatar e sim o que se fez novo sendo eu GUIADA PELAS MÃOS DO ETERNO!




Texto criado por Édina S. Pires-(uma história verídica)


Fonte de informação sobre os antecedentes informados no texto: 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Santana_do_Itarar%C3%A9#Etimologia
http://edinasilvapires.blogspot.com.br/2012/02/santana-do-itarare-origem-wikipedia.html

6 comentários:

  1. Bom dia minha irmã, o seu texto é muito bonito, pois sempre teve facilidade em escrever, um dom de Deus mesmo. Parabéns.Beijos.

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    1. Obrigada Telma, eu realmente se pudesse, passava o meu dia contanto sobre as nossas histórias, amo escrever, são através das palavras que eu coloco para fora toda a saudade do tempo que era bom e eu não sabia... Bjs

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  2. Você escreve muito bem minha irmã. Parabéns, beijos

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    1. Amo escrever, é o meu lado escritora querendo saltar de dentro de mim a todo custo! Obrigada por participar aqui, me motiva as sua palavras, pois a opinião das pessoas que verdadeiramente me conhecem, são para mim de grande valia! Bjs

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  3. Eu lembro-me perfeitamente desse dia, estou em plantos, pois voltou tudo como um filme na minha mente. A parte mais linda; foi lembrar que mesmo do jeito durão e ignorante do nosso papai, ele nós amava muito, pois ele também já me provou este amor. Quando uma aranha venenosa picou meu dedo do pé, e quando fui me aventurar em Barão atrás de um "amor" kkkkkkkkk. O pai na sua grande sabedoria me disse: - " Minha filha, se este relacionamente não der certo, eu estou aqui, não esquece nunca disso, mesmo porque, eu não tenho moral para dizer que você está errada..." eu me enchi que orgulho pelo seu cuidado comigo e ao mesmo tempo; vergonha, muita vergonha, por ter feito tudo errado daquele jeito. Mais fiquei feliz, mesmo do seu jeito simples e rustico, ele me deu uma lição, ele que só sabia bater, as suas palavras bateram fundo no meu peito, doeu e valeu mais do que uma surra,( pois ele deu algumas). Eu amo muito os nossos pais, mesmo sentindo a dor ainda de cada surra, eles tinham muito amor por nós, é que a vida foi muito dura com eles, e era a forma que tinham de nos educar. A saudade doi muito no meu peito.

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    1. Sim minha irmã, como demorou para entendermos que somos o que somos hoje porque tivemos pais que nos educaram, de uma maneira mais firme, afinal era a única linguagem que eles também conhecerão em sua infância, mais eles nos amaram e como você mesmo disse, as palavras surtiram muito mais efeito do que as correções. Quem ama cuida, e este foi o jeito dele nos mostrar! Bjs

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