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ste é
somente um resumo do inicio da minha trajetória no caminho da Verdade. Esta história começa
bem lá atrás; quando eu ainda era uma menina que brincava de boneca, volto ao
passado no ano de 1976...
Eu
tinha apenas oito anos, recém chegada da pequena cidade de Santana do Itararé,
Paraná, com toda a liberdade do interior, quintal com grandes árvores, casa
simples feita de madeira, porém com muita fartura, amor e o acolhimento que somente
as pessoas simples do interior têm, todos se conhecem e se ajudam.
Nesta
pacata cidade onde nasci, fundada por meus antepassados, a grande FAMÍLIA
BARBOSA, éramos conhecidos de todos e
conhecíamos a todos... porém com o tempo alguns filhos partiram em busca dos sonhos... e o desejo de minha mãe em ir atrás dos filhos mais
velhos que tentavam a sorte na grande São Paulo, nos fez sair do nosso cantinho
e aventurar na maior cidade do Brasil, saímos com sonhos de morar em um lindo
edifício e ter uma vida de novidades.
A
criança em sua mente pequenina imagina e cria ilusões onde não tem lugar para
as dificuldades, deixam estas realidades para os adultos, e continuam a sonhar
com castelos...
Quando
chegamos e tivemos a visão do lugar onde iríamos morar, nosso castelo
simplesmente desmoronou...
Alguns anos depois,
morando em nossa casa de alvenaria inacabada eu brincava com minha irmã de coração no pequeno quintal dos fundos, nele havia um poço bem velho, mais que ainda nos
servia com sua água. Resolvi que a tampa de madeira poderia ser o assento do meu carro imaginário, eu
iria passear com meu bebê (minha velha boneca de plástico), e me sentei sem
notar que a tampa não estava fechada direito, foi então que... Naquele
poço de aproximadamente 21 metros de profundidade, minha irmãzinha em
desespero, sem saber o que fazer... Começou a gritar! Sair para pedir socorro? Me deixando ali, poderia ser que ao voltar já não houvesse mais tempo?
Meu pai estava na
sala, com um aparelho ligado em seu violão, era o seu consolo, a música, uma
vez que odiava estar naquela cidade grande. O ouvi dizer várias vezes para minha mãe que não queria sair do
interior, mas uma mãe saudosa por suas
crias distantes não conseguia atentar para as conseqüências de sua decisão,
tomada no momento em que seu coração se angustiava pela dor da saudade! Foi
contra todos os argumentos de meu pai e decidiu que partiríamos.
Venderão tudo o que
ainda tinham, de uma herança de muitas terras herdadas do meu avô, terras que se perdiam de vista, "restando" somente aquela "casinha" e
um enorme quintal onde nossa alegria eram as manhãs quentes de verão na beira
do rio saboreando o nosso piquenique e atravessando a nado, em cima da costa do
nosso pai, que com toda paciência carregava uma de cada vez, das cinco mulheres
(eu, minhas três irmãs e minha mãe) aqueles nossos momentos de lazer, eram memoráveis! Os saltos de cipó, na centenária árvore que havia na entrada no
nosso quintal; e as brincadeiras na pequena praça... na porta da Igreja
construída em um terreno doado por um dos familiares distantes de coração generoso, parente por parte de minha mãezinha; João Barbosa e Ana Barbosa, Igreja de Santa Ana, antes conhecida como Patrimônio
dos Barbosa.
Tantas foram as brincadeiras vividas ali... esconde-esconde, pega-pega... sem contar
quando resolvíamos cutucar o enorme enxame de abelhas, que se formava na porta
da Igrejinha.
Para
pegar as colmeias cheias de mel das furiosas voadoras, que nos perseguiam praça
afora... éramos felizes na nossa simplicidade e nem sabíamos.
Voltando
a realidade daquele dia assustador... para mim, minha querida irmã, a caçulinha
no meu lugar!
Minha
mãe depois de quinze filhos, sendo eu antes a mais nova, adotou esta garotinha com apenas três meses
que sofria de uma terrível doença, que pela fé de minha mãe (a mulher mais valorosa
que conheci) ficou curada!
Cresceu
linda, branca como um algodão, de cabelos cacheados e negros, olhos grandes e
verdes, parecia uma boneca de porcelana, meu xodó, minha companheira nas brincadeiras,
um dos anjos que o Pai colocou para me guardar naquele dia.
Ela se encheu de
coragem e saiu desesperada para buscar alguém mais forte do que ela para me
socorrer, porque eu ainda estava lá, não sei explicar como, afinal milagre não
se explica, quando a tampa e a minha bonequinha caíram, eu simplesmente
fiquei pendurada, segurando com as
pontas dos meus minúsculos dedos a borda
de cimento cheia de musgo escorregadio, meus braços frágeis e finos sustentavam
o peso do meu corpo... minha irmã maior finalmente apareceu para tentar me
tirar daquele pesadelo, me puxou por um dos braços e não conseguindo soltou... nesse
momento senti que o impacto iria quebrar os meus braços, mas novamente fiquei suspensa pela força de somente um deles, que então suportavam todo o meu peso!
Finalmente
meu pai tomou conhecimento do que acontecia... pois simplesmente não ouvira
nada, com o barulho da caixa de som ligada.
Arrancou-me
dali com desespero e fúria, me arrastando pela borda de cimento, que me deixou
cheia de arranhões, que ardiam muito
quando minha mãezinha fazia o curativo.
Ainda
levei umas palmadas de meu pai, como que em um momento de medo pelo que poderia
ter acontecido comigo, descontou assim o nervosismo daquele instante de horror!
E ainda disse:
-Se eu
não conseguisse te tirar dali, pularia junto com você, e desta casa sairiam
dois
caixões
para o cemitério!
Meu pai... minhas irmãs e os anjos, foram minhas testemunhas, do recomeço de uma nova história sobre mim, e aquele dia ainda não seria o fim!
Entendi também que a palavra dos salmos 91 se cumpriu na minha vida!
Minha mãezinha nos reunia (eu e minhas três irmãs) na sala para lermos a passagem das Escrituras no salmo 91, era eu quem recitava este salmo toda noite e o Eterno verdadeiramente deu ordem aos seus anjos e me sustentou e guardou.
Entendi também que a palavra dos salmos 91 se cumpriu na minha vida!
Minha mãezinha nos reunia (eu e minhas três irmãs) na sala para lermos a passagem das Escrituras no salmo 91, era eu quem recitava este salmo toda noite e o Eterno verdadeiramente deu ordem aos seus anjos e me sustentou e guardou.
Hoje tenho 44 anos,
e a sabedoria e os ensinamentos de minha querida mãe, me guiaram para as mãos
do Pai, e começou então uma nova trajetória na minha vida, o que passou sem o
Altíssimo, não interessa relatar e sim o que se fez novo sendo eu GUIADA PELAS
MÃOS DO ETERNO!
Texto criado por Édina S. Pires-(uma história verídica)
Fonte de informação sobre os antecedentes informados no texto:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Santana_do_Itarar%C3%A9#Etimologia
http://edinasilvapires.blogspot.com.br/2012/02/santana-do-itarare-origem-wikipedia.html
Bom dia minha irmã, o seu texto é muito bonito, pois sempre teve facilidade em escrever, um dom de Deus mesmo. Parabéns.Beijos.
ResponderExcluirObrigada Telma, eu realmente se pudesse, passava o meu dia contanto sobre as nossas histórias, amo escrever, são através das palavras que eu coloco para fora toda a saudade do tempo que era bom e eu não sabia... Bjs
ExcluirVocê escreve muito bem minha irmã. Parabéns, beijos
ResponderExcluirAmo escrever, é o meu lado escritora querendo saltar de dentro de mim a todo custo! Obrigada por participar aqui, me motiva as sua palavras, pois a opinião das pessoas que verdadeiramente me conhecem, são para mim de grande valia! Bjs
ExcluirEu lembro-me perfeitamente desse dia, estou em plantos, pois voltou tudo como um filme na minha mente. A parte mais linda; foi lembrar que mesmo do jeito durão e ignorante do nosso papai, ele nós amava muito, pois ele também já me provou este amor. Quando uma aranha venenosa picou meu dedo do pé, e quando fui me aventurar em Barão atrás de um "amor" kkkkkkkkk. O pai na sua grande sabedoria me disse: - " Minha filha, se este relacionamente não der certo, eu estou aqui, não esquece nunca disso, mesmo porque, eu não tenho moral para dizer que você está errada..." eu me enchi que orgulho pelo seu cuidado comigo e ao mesmo tempo; vergonha, muita vergonha, por ter feito tudo errado daquele jeito. Mais fiquei feliz, mesmo do seu jeito simples e rustico, ele me deu uma lição, ele que só sabia bater, as suas palavras bateram fundo no meu peito, doeu e valeu mais do que uma surra,( pois ele deu algumas). Eu amo muito os nossos pais, mesmo sentindo a dor ainda de cada surra, eles tinham muito amor por nós, é que a vida foi muito dura com eles, e era a forma que tinham de nos educar. A saudade doi muito no meu peito.
ResponderExcluirSim minha irmã, como demorou para entendermos que somos o que somos hoje porque tivemos pais que nos educaram, de uma maneira mais firme, afinal era a única linguagem que eles também conhecerão em sua infância, mais eles nos amaram e como você mesmo disse, as palavras surtiram muito mais efeito do que as correções. Quem ama cuida, e este foi o jeito dele nos mostrar! Bjs
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